Vilão ou Herói, o que o Cartão de Crédito é para você?
Existe, no mundo globalizado em que vivemos, uma tendência de creditização da economia. É cada vez mais comum, os consumidores preferirem utilizar o cartão de crédito, a utilizar o próprio dinheiro, pois consideram mais fácil, cômodo e, principalmente, mais seguro realizar uma compra através dele. De acordo com dados da ABECS, Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e de Serviços, o número de transações feitas com o cartão de crédito, subiu de 2 milhões em 2007, para 6 milhões em 2015. Essa crescente porém, pode ser um agravante para alguns consumidores.
Dentre os consumidores inadimplentes no Brasil, 37% tem dívidas com o cartão de crédito de acordo com o último Relatório de Inclusão Financeira do Banco Central (2015). Tal percentual demonstra o quanto perigoso esse instrumento pode ser para o consumidor. O cartão de crédito tem então, um papel de destaque quando falamos de dívidas. Porém, também tem um papel de destaque quando falamos da facilidade que ele nos traz no momento de realizarmos compras com pagamento a longo prazo.
Mas por que um instrumento feito para facilitar o consumo e ser o nosso herói para a realização de objetivos e desejos, se torna, por muitas vezes, o nosso vilão? A resposta está na facilidade que existe em usá-lo e no preço alto que pagamos quando não cumprimos nossas obrigações com ele, ou seja, os juros.
Quando realizamos compras com o cartão de crédito, não temos aquela sensação imediata de que estamos com menos dinheiro do que estávamos antes da compra. Isso acontece, porque de fato, ainda estamos com a mesma quantidade de dinheiro que tinhamos antes. O cartão de crédito nos permite adquirir bens e só pagar depois da chegada da fatura. Então, essa facilidade de comprar e não gastar em um primeiro momento é considerada por muitos especialistas como o grande perigo.
O consumidor, amparado por essa sensação, acaba não planejando o impacto que isso trará para seu planejamento financeiro. O que acontece então, é que no momento em que a fatura do cartão chega para ser paga, o consumidor se surpreende com o valor e muitas vezes lembra ali, naquele momento, que realizou determinadas compras no cartão de crédito. Como saída, eles acabam não pagando o valor total da fatura, ou pagando apenas o mínimo para poder tentar no mês seguinte arcar com o pagamento total. Nesse momento, o consumidor já comete seu maior erro: usar o rotativo do cartão de crédito.
O rotativo do cartão de crédito traz grandes problemas para qualquer orçamento doméstico. A taxa de juros cobrada pode chegar a 450% ao ano, de acordo com a ANEFAC, Associação Nacional dos Excutivos de Finanças, Administração e Contabilidade, sendo a maior taxa de juros dentre todas as modalidades de crédito.
Além da alta taxa de juros, o consumidor enfrenta outro problema: ele mesmo. No decorrer do mês, ele acaba realizando novas compras no cartão de crédito e esquece de planejar que além dessas novas compras, tem que pagar o que faltou da última fatura acrescido de juros, Quando se dá conta, ele já está preso em uma "bola de neve" e não consegue mais arcar com seus compromissos financeiros. Nesse momento, o cartão de crédito que era para ser um herói facilitador de consumo, se torna o maior vilão da vida financeira desta pessoa.
É preciso então, ter um controle rigoroso do uso do cartão de crédito, sempre anotando o valor e separando a quantia a ser paga. Dessa forma, quando chegar a fatura no mês seguinte, tudo estará planejado e sob controle. Porém, se mesmo assim você sempre perder o controle com o cartão de crédito, que tal retirá-lo do seu dia a dia? Comece usando somente para emergências, e se ainda não adiantar, melhor livrar-se de todos eles.
Abraços!
Guia de Finanças

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